Atividade Física

Atividade Física - Parte 1

Todo vegetariano, em algum momento, é indagado sobre a possibilidade de praticar exercícios físicos e sobre o desempenho nessas atividades.

Conseqüentemente, surge a pergunta: é possível ganhar massa muscular sem proteína animal? Deve haver suplementação de proteínas para quem é vegetariano? Como podemos otimizar o ganho de massa muscular? Como otimizar o treinamento?


Proteína e massa muscular

O músculo é composto, em grande parte, por proteína. Esse fato leva muitas pessoas a pensarem que, por isso, precisam ingerir muita proteína e, talvez, suplementos. Mas, normalmente, já ingerimos mais proteína do que é necessário e a complementação dela raramente é necessária.
Mesmo com uma dieta vegetariana estrita, a ingestão de proteínas tende a ser maior do que o necessário.

Os aminoácidos necessários para o nosso organismo são todos encontrados em abundância no reino vegetal. Não falta matéria-prima no reino vegetal para construir músculos.

Frequentemente ouvimos alguém dizer que há um aminoácido que falta nos vegetais. Só que ninguém sabe dizer qual é! Não dizem qual é justamente porque não falta nenhum aminoácido necessário para o nosso corpo no reino vegetal.

Comer mais proteína do que o necessário faz aumentar a massa muscular?


Não, não faz! O que faz aumentar a massa muscular é a atividade muscular bem planejada, acompanhada da alimentação adequada, descanso suficiente e um bom equilíbrio hormonal. Sem esse conjunto em harmonia, o ganho de massa muscular e o bom desempenho na atividade física é insuficiente.

Para aumentar a massa muscular deve haver atividade física.

Se o músculo não é exercitado, ele atrofia. Se você conhece alguém que teve um acidente vascular encefálico (conhecido como AVE ou AVC) e não movimenta o braço esquerdo, por exemplo, observe que esse braço perde massa muscular, mesmo se a pessoa consumir uma dieta hiperprotéica.

É o estímulo constante que faz o músculo se manter metabolicamente ativo e, com isso, aumentar seu volume, força e resistência.

É importante o planejamento da atividade, pois o músculo precisa se exercitar e, depois, descansar bem alimentado. Um bom treinador físico deve estabelecer a carga, número de repetições, posicionamento do corpo e tipo de prática para que você almeje o resultado pretendido no treino.

Exercício físico mal planejado e com má alimentação pode levar ao consumo do próprio músculo ao invés do seu incremento.

Carboidrato: não fique sem ele!

O representante maior do carboidrato é chamado glicose.

Quando o músculo começa a se exercitar, ele utiliza muito o carboidrato que está guardado dentro dele. Esse carboidrato é chamado glicogênio (várias glicoses grudadas umas nas outras). Quando o glicogênio termina, o músculo perde a capacidade de se manter em atividade.

Quando uma pessoa leva o músculo à exaustão (exaurindo o glicogênio), é possível repor todo o estoque de glicogênio em 2 dias com uma alimentação rica em carboidrato. Caso a dieta seja rica em proteína e gordura, são necessários 7 dias para repor esse estoque. Isso significa que, com uma dieta mal planejada, o músculo não estará adequadamente preparado para suportar o próximo treinamento, entrando em fadiga rapidamente.

Outro ponto importante é o fato de que, quando terminamos um treino, nossas células musculares têm uma maior avidez pelo carboidrato (glicose), conseguindo retirá-lo do sangue sem o auxílio da insulina (hormônio produzido pelo pâncreas, necessário para colocar a glicose dentro das células).

Essa mais avidez permanece por cerca de 4 horas após o término do treino. Esse momento (até 1 hora após o treino) é ideal para se alimentar com alimentos com maior teor de carboidrato, e não de proteínas.

Outro ponto importante do carboidrato: se ele está em falta, destruímos nossa massa muscular para que a proteína muscular seja transformada em carboidrato. Assim, quem come mais carboidrato precisa de menos proteína e poupa o músculo de ser destruído.

Água: não fique sem ela!

A hidratação adequada é fundamental para o bom funcionamento do músculo. Mas não é só isso. Vimos que o músculo guarda carboidrato, na forma de glicogênio. Para cada 1 grama de glicogênio guardado, é necessário 4 gramas de água. Assim, conforme o músculo é mais exercitado, ele guarda mais glicogênio e consequentemente mais água. Quem pratica atividade física precisa de mais água por diversos motivos: maior trabalho metabólico, aumento da perda pelo suor e maior necessidade de uso pelo músculo para guardar seu combustível (glicogênio).

Quem começa a praticar musculação observa que já na primeira semana o músculo exercitado aumenta de volume. Isso já ocorre por guardar mais glicogênio e, consequentemente, mais água. Essa “retenção” de água é fundamental para o músculo se manter saudável.

Proteína: não exagere!

Em academias, suplementar proteínas é quase um mandamento. Mas isso pode ser nocivo e desnecessário.
Guarde essa regra: nosso corpo não consegue armazenar a proteína ingerida em excesso. Assim, todo excesso de proteína ingerida vai se transformar em carboidrato e gordura! Nessa situação, a proteína não se torna músculo e, dependendo do abuso, será transformada em “pneuzinhos”.

Quando a proteína em excesso se torna carboidrato e gordura, ela libera um elemento tóxico chamado nitrogênio. Para eliminá-lo, precisamos do trabalho do fígado e dos rins.

Não se engane com a suplementação de proteínas. Ela pode ter espaço em situações específicas, mas não é a regra para os praticantes de atividade física. Sugiro que não adote essa prática sem prévia avaliação médica.

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