Problemas de Saúde

Gripe Suína

A Sociedade Brasileira de Infectologia em união com a Associação Médica Brasileira, montaram um material informativo sobre a gripe suína. O material que elaborei para esse texto traz informações desse manual e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse texto foi escrito assim que começou a epidemia.

A OMS começou a receber notificações de um tipo diferente de vírus da gripe proveniente do México e Estados Unidos. Rapidamente a gripe atingiu a Europa, as Américas e outros países.

Em um mês, 30 países já haviam notificado 4694 casos de infecção pelo vírus. Nos Estados Unidos haviam 2532 casos confirmados por exames laboratoriais, computando 3 mortes.

Segundo a OMS, a maioria das pessoas infectadas pelo vírus não apresentam complicações e a doença tem duração limitada.

De onde vem esse vírus?

A gripe suína é causada por um novo vírus Influenza A (H1N1), sendo um variante de origem animal. Vamos entender melhor isso?

Um vírus se aproxima da célula do seu hospedeiro (ser humano, porco, ave...), “gruda” nela e injeta o seu material genético no interior dessa célula.

Esse material genético será multiplicado e dará origem a novos vírus, todos iguais. Quando um vírus injeta o seu material genético numa célula que já está infectada com o material genético de outro vírus, pode ocorrer uma “mistura” desse material e gerar um novo tipo de vírus.

O vírus H1N1 é parecido com o da gripe de suínos (conhecido há mais de 10 anos e que ocasionalmente infectou seres humanos), mas tem o seu material genético diferente desse vírus e de qualquer outro vírus da gripe humana.

Portanto, ele é um vírus novo, que provavelmente sofreu mutações ao infectar células de porcos, aves e humanos nos Estados Unidos.  Ele nunca foi identificado em porcos e em nenhum outro animal.

Ele não passou do porco para o ser humano.

 

A transmissão

Sua transmissão é feita de uma pessoa para outra pelas secreções das vias respiratórias, especialmente pelo espirro e tosse.

Essa transmissão pode ocorrer quando a distância entre a pessoa infectada pelo vírus é de cerca de um metro, o que ocorre facilmente em locais fechados com muitas pessoas.

A pessoa infectada demora 3 a 7 dias para apresentar os sintomas.

Ainda não é claro sobre a capacidade desse novo vírus infectar animais. Se isso ocorrer, as conseqüências para a saúde pública serão muito marcantes, pois poderá ser disseminada mais rapidamente. Não é isso que parece ocorrer, mas ainda precisamos de mais tempo para termos a certeza.

Não há nenhum relato científico que o vírus H1N1 possa ser contraído com a ingestão de carne de porco e nem dos seus derivados. Temperaturas acima de 70ºC são letais ao vírus. Assim, o cozimento da carne extermina completamente o vírus.

Casos suspeitos

As pessoas suspeitas de estarem com o vírus influenza A/H1N1 são aquelas que apresentam febre alta repentina (acima de 38ºC) e tosse. Elas podem ou não ter um ou mais dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória.

Além disso, é preciso que a pessoa tenha os sintomas e sintomas até 10 dias após ter retornado de viagem ao exterior (de países que reportam casos do vírus) ou ter tido contato próximo (nos últimos 10 dias) com pessoa suspeita de estar infectada.

Como posso me precaver?

Existem algumas recomendações para minimizar a possibilidade de contágio:

- manter distância mínima de 1 metro de pessoas com sintomas de gripe;
- evitar levar as mãos à boca e ao nariz;
- higienizar as mãos com freqüência, utilizando água e sabão;
- evitar permanecer em locais com aglomeração de pessoas;
- procurar manter uma boa ventilação nos lugares que freqüenta;
- não compartilhar alimentos, copos, talheres e objetos de uso pessoal.


Estou com febre, tosse, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória. O que devo fazer?

Mantenha as mãos sempre limpas (lave com água e sabão) sempre que tocá-las na boca, nariz ou após tossir ou espirrar.

Cubra a boca e nariz ao tossir e espirrar.

Permaneça em casa por 10 dias, utilizando máscara cirúrgica descartável.

Reduza contatos sociais desnecessários.

Verifique a sua temperatura 3 vezes por dia e fique atento a temperaturas superiores a 38ºC e tosse.

Procure atendimento médico para avaliação se os sintomas persistirem.

O que o médico deve fazer ao se deparar com um paciente suspeito de estar infectado?

Os médicos estão orientados a comunicar a suspeita ao Centro de Vigilância Epidemiológica e se houver necessidade, encaminhar a pessoa para um hospital de referência. A notificação imediata dos suspeitos à Secretaria de Saúde Municipal e/ou Estadual é a regra. Depois disso, a busca por pessoas que estavam em contato com o suspeito deve ser realizada.

A internação não é a recomendada, a não ser que o quadro clínico da pessoa leve à necessidade de tal procedimento.

O diagnóstico

O diagnóstico desse novo vírus é realizado por teses específicos (Imunofluorescência indireta seguido de reação em cadeia pela polimerase).

Tratamento

Via de regra, não é recomendado o uso de nenhum medicamento para a gripe. A automedicação não deve ser feita.

O uso de medicamentos específicos (antivirais) deve ser restrito aos pacientes que estão em hospitais de referência. O seu uso indiscriminado pode induzir o vírus à resistência rapidamente.

O uso de medicamentos que contenham aspirina não devem ser utilizados por crianças e adultos jovens, pois pode levar à Síndrome de Reye, uma doença rara, não contagiosa, mas grave e que pode levar à morte por alteração da pressão intra-craniana e insuficiência do fígado.

A máscara funciona como proteção contra o contágio?

Não há evidências de que, fora de serviços de saúde (hospitais, postos de saúde...), a máscara seja efetiva para proteção. Ou seja, em ambientes abertos, o seu uso não mostra benefícios na prevenção da gripe.

No entanto, nos indivíduos portadores do vírus, o uso da máscara pode ajudar a reduzir a transmissão, pois serve como uma discreta barreira para que o vírus não seja espalhado para o ambiente.

Para os profissionais de saúde que estejam próximos de pessoas suspeitas ou confirmadamente infectadas, pode ser necessário o uso de alguns materiais de proteção, como avental (com abertura para trás), gorro, óculos de proteção e luvas, além de uma máscara especial que filtra pelo menos 95% das partículas presente no ambiente. Familiares e pessoas que visitam a pessoa contaminada devem utilizar essas proteções.

Conclusões

A gripe suína não é uma gripe passada dos animais para os seres humanos.

Esse vírus é novo e, provavelmente, teve a sua origem ao sofrer alterações genéticas ao infectar células de porcos, aves e seres humanos.

A possibilidade do confinamento de animais ter contribuído para esse processo não deve ser descartada, mas também não podemos afirmar que essa é a razão para o seu surgimento.

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