Avaliação Nutrológica

Medo de médico?

Eventualmente recebo pacientes que nunca foram ao médico por pavor de encontrar algo errado com a saúde ou por associar a medicina com a indústria farmacêutica. A medicina naturalista ou alternativa, assim como a alopática, algumas vezes trás conceitos que  atrapalham o discernimento de algumas pessoas.


Vegetarianos não precisam de médicos e remédios?

Um estudo avaliando quase 28 mil indivíduos, sendo 55% vegetarianos, demonstrou que os onívoros apresentavam mais doenças do que os vegetarianos. Além disso as mulheres onívoras utilizavam 70 a 115% mais medicamentos do que as vegetarianas e os homes onívoros utilizavam o dobro do que os vegetarianos.

Esses dados sugerem o efeito benéfico de um estilo de vida vegetariano.

No entanto, para você que é vegetariano, tenha em mente que para a sua saúde, tão importante quanto retirar a carne, será a inclusão de alimentos mais naturais e integrais, fugindo dos processados, refinados e fritos e a utilização de alimentos que tragam um balanço adequado de nutrientes.

Os estudos que demonstraram essa saúde melhor nas populações vegetarianas, encontraram muitos desses hábitos nos vegetarianos.

Quanto a ficar longe de médicos, isso é relativo. Se o seu médico tem um olhar bastante focado da prevenção de doenças, avaliando clínica e nutrologicamente o seu organismo, muito pode ser feito pela sua saúde de forma pouco invasiva. Correções simples em termos de hábitos, alimentação e estilo de vida, podem evitar o surgimento de doenças crônicas degenerativas, além de contribuir para aumento do seu bem estar.

Médicos só sabem dar remédios e são fantoches da indústria farmacêutica?

Essa é realmente uma idéia distorcida do que é a ciência e de como o conhecimento é adquirido. Eu chamo isso da “teoria da conspiração”, onde alguns acreditam que todos os estudos ligados à medicina são feitos com o objetivo de enganar os médicos e pacientes trazendo lucros à indústria farmacêutica.

Em todas as áreas e profissões você vai encontrar profissionais que são diferentes. Há os que trabalham apenas porque precisam ganhar dinheiro e há os que trabalham por amor ao que fazem. Quando alguém gosta do que faz, pode fazer com arte.

O médico que estuda e tem discernimento não é um fantoche da indústria farmacêutica e nem de nenhuma outra conspiração secreta criada para intoxicar os seres humanos de remédios. Uma avaliação adequada mostra o que é necessário para a boa saúde em cada momento, mesmo porque para qualquer avaliação o mais importante é o contato do médico com a pessoa a ser atendida. Dessa interação, a necessidade dos cuidados básicos com a saúde até a necessidade de medicamentos fica bastante nítida. No decorrer de qualquer tratamento, tanto o médico quando o paciente, conseguem perceber os efeitos de qualquer terapia, seja ela medicamentosa ou não. Assim, não é tão difícil discernir o que é ou não real em termos de eficácia.

Como a indústria farmacêutica tem interesses comerciais, o médico deve ficar atento aos dados que ela apresenta, assim como suas sugestões terapêuticas. O discernimento médico é importante sim, mas há ferramentas para verificar o que devemos ou não  fazer na prescrição de qualquer produto.

Tratamentos naturais podem ser pior do que alopatia!

Quando um tratamento deveria ser instituído e não é em detrimento de outro que não funciona, o resultado pode ser catastrófico.

Cada vez mais os estudos demonstram a utilidade de algumas ervas, da acupuntura e de diversos outros métodos que eram menos convencionais. É preciso que esses estudos sempre avancem para sabermos onde são indicados, em que situações, qual a sua segurança, etc...

Se uma pessoa tem, por exemplo, uma deficiência de ferro (que deve ser tratada com ferro medicamentoso) e faz o tratamento do cansaço decorrente dessa carência com uso de compostos naturais de efeito estimulante, acupuntura, massagens ou quaisquer outras técnicas, elas serão nocivas para esse indivíduo pelo simples fato de privarem-no do uso do que realmente sana o seu mal, o ferro.

Para que um tratamento seja instituído é fundamental que haja um diagnóstico. E para isso, a avaliação médica é fundamental.

Não há uma erva ou um tratamento eficiente para todos os males da humanidade. A arte maior é saber o que deve ser utilizado em cada momento.

Vejo com freqüência pessoas utilizarem ervas para problemas renais com a alegação: “essa erva é boa para os rins”. Mas há inúmeros problemas renais de natureza completamente opostas, assim como cada órgão tem problemas de etiologia completamente diferentes. Não há um tratamento que sirva para todos os males. Se esse tipo de abordagem for vendido a você, desconfie.

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