Avaliação Nutrológica

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Avaliação de vegetarianos X Não vegetarianos - PROTEÍNAS

Escrito por Dr Eric Slywitch. Publicado em Avaliação Nutrológica.

Nesse artigo, darei continuidade ao tema das avaliações comparativas falando sobre os dados referentes ao metabolismo de proteínas.

Os dados apreentados nesse texto são parte do que encontrei na minha tese de mestrado, com tema: " Avaliação do estado metabólico e nutricional de indivíduos vegetarianos e onívoros".

Todos os dados sobre a escolha dos participantes, podem ser vistos no texto sobre avaliação ligado a doenças cardiovasculares (nessa mesma seção, sobre avaliação nutrológica).


Avaliação Nutricional de Proteínas do Vegetariano

Nenhum dos indivíduos avaliados na minha tese de mestrado tinham sido previamente orientados quanto à forma de elaborar suas refeições vegetarianas. Assim, os dados encontrados, se referem à dieta vegetariana não planejada.

A importância das Proteínas

Todo vegetariano já ouviu a pergunta: “Mas de onde você obtém as proteínas da sua alimentação?”. Essa pergunta, tão freqüente, simplesmente reflete o conhecimento sobre a importância desse nutriente, mas o desconhecimento sobre suas fontes. Leia amis sobre proteínas na seção de "Nutrientes", nesse site.

As proteínas são realmente importantes, pois inúmeras funções corporais dependem dela: formação e manutenção da massa muscular, de hormônios, enzimas, células corporais...

Por ter tanta importância, algumas pessoas acreditam que precisamos comer muita proteína. Ledo engano! Precisamos ingerir o que nosso corpo precisa, pois todo excesso se transforma em gordura e carboidrato. Isso quer dizer que não há estoque considerável de proteínas no nosso organismo. Todo excesso ingerido, e geralmente as pessoas ingerem mais do que precisam, será transformado em carboidrato e gordura.

Todo excesso de proteínas é transformado em carboidrato e gordura.


Necessidade de proteínas

As necessidades protéicas (em gramas/kg/dia) são maiores no início da vida e reduzidas gradativamente até a idade adulta. Enquanto crianças de 3 a 6 meses de idade necessitam 1,85 g de proteína/kg/dia, adultos necessitam 0,75 g/kg/dia.

O perfil de consumo atual

Proteínas provenientes de plantas correspondem a 65% da proteína per capita ingerida no mundo todo. Em algumas regiões norte-americanas, as proteínas de fontes vegetais correspondem a apenas 32% da ingestão protéica, o que demonstra que o consumo de produtos de origem animal está aumentando nessa população.

Ao longo da história humana, utilizamos mais de 3.000 alimentos de origem vegetal. Pelo menos 150 espécies são cultivadas para fins comerciais.

No entanto, a população mundial depende de aproximadamente 20 diferentes tipos de plantas cultiváveis, que podem ser genericamente divididas em cereais, hortaliças, leguminosas, frutas e nozes.

No contexto da alimentação protéica humana os cereais e leguminosas são as principais fontes utilizadas, sendo os cereais os maiores responsáveis pelo consumo protéico e energético humano.

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE PROTEÍNAS

Essa avaliação é bastante complexa, pois há muitos fatores que interferem em todos os exames laboratoriais referentes à sua observação.

No estudo que realizamos, utilizei 7 parâmetros para fazer essa avaliação.

Vamos aos resultados:

Avaliação da composição corporal

Em indivíduos jovens, com índice de massa corporal (relação do peso com altura) dentro dos parâmetros considerados normais, sem treinamento esportivo direcionado, a sua composição corporal divide-se em cerca de 25% como massa corporal gorda (gordura mesmo) e 75% como massa corporal magra. A massa corporal magra é composta por 20% de proteínas, 70% de água e 10% de minerais.

Em qualquer avaliação física, podemos quantificar a gordura corporal de uma pessoa e o que sobra é, conseqüentemente, a massa magra (constituída por 20% de proteína).

Os vegetarianos e não vegetarianos avaliados no nosso estudo foram submetidos a essa avaliação.

Os resultados mostraram que não houve diferença no teor de gordura corporal encontrado e nem de massa muscular entre os grupos. Os vegetarianos apresentaram 25,72% da composição corporal constituída por tecido gorduroso, enquanto os onívoros tiveram 25,24%.


Avaliação da ingestão de proteína (quantidade ingerida)

A quantificação da proteína ingerida se faz pela análise dos alimentos (com suas respectivas quantidades) que o indivíduo ingere ao longo dos dias.

Essa análise pode ser feita por muitos métodos diferentes e, muitos deles, por serem baseadas no que a pessoa conta ao pesquisador, sujeitas a falhas nos resultados finais.

Os resultados que tivemos mostram que os vegetarianos ingerem, em média, 0,97 g de proteína/kg/dia, enquanto os onívoros 1,31 g/kg/dia. Observe que os vegetarianos ingerem menos do que os onívoros, mas mais do que o necessário (0,75 g/kg/dia).

Sabemos que a quantidade de proteína ingerida diariamente deve permanecer entre 10 e 15% do total de calorias.

Nessa análise, os vegetarianos ingeriam 12,78% e os onívoros 16,82%.

Esses dados estão de acordo com a literatura internacional e, conforme sugerido pelo Ministério da Saúde, a ingestão de carne pelos brasileiros deve ser reduzida.

Há um exame laboratorial (chamado Uréia) que pode refletir, indiretamente, a ingestão de proteínas de uma pessoa, desde que diversos outros fatores tenham sido avaliados em conjunto, como o funcionamento do fígado, uso de medicamentos, funcionamento dos rins, grau de hidratação e ausência de destruição muscular.

Na avaliação que fizemos, foi possível avaliar todos esses itens, que eram similares entre o grupo vegetariano e onívoro.

Os resultados finais da análise desse composto demonstraram que os níveis de uréia dos onívoros são significativamente mais elevados do que o dos vegetarianos, demonstrando que, realmente, a ingestão de proteínas é maior no grupo não vegetariano.


Avaliação das dosagens laboratoriais mais comuns para análise de nutrição de proteínas

As dosagens mais freqüentes utilizadas na prática clínica são albumina e contagem de linfócitos (células de defesa que podemos observar no hemograma).

Vegetarianos e onívoros tiveram níveis equivalentes desses compostos e dentro da faixa considerada adequada como parâmetro de nutrição de proteínas.


Avaliação de dados menos comuns relacionados ao estado nutricional de proteínas

Utilizamos também, para a análise, a avaliação da hemoglobina (presente no hemograma) e da transferrina (proteína que transporta ferro no organismo).

A análise desses dois elementos é bastante complexa pelo fato de serem muitos os fatores que podem interferir na análise, como o funcionamento da glândula tireóide, dos rins, o metabolismo do ferro, inflamação no organismo, além de outras vitaminas. Todos esses fatores foram avaliados e, como foram equivalentes nos dois grupos, pudemos utilizar a hemoglobina e transferrina como parâmetros de avaliação do estado nutricional de proteínas.

Os dados encontrados se mostraram equivalentes entre vegetarianos e não vegetarianos.


Conclusão

A ingestão de proteínas pelos vegetarianos é adequada (acima do preconizado). Vegetarianos não estão em risco de maior deficiência de proteínas quando comparados aos não vegetarianos. Os onívoros devem reduzir a ingestão de carne, pois é excessiva.

A proteína incorporada no organismo dos vegetarianos é adequadamente aproveitada, não havendo diferenças entre a incorporada pelos onívoros.